Cadê o mundo que passava na minha janela?

Passei um bom tempo sem visitar esse blog. Mas depois de saber que ele vinha sendo lido, resolvi voltar, reler, e ver se alguma coisa se salvava. Posso estar enganado, iludido... mas não me decepcionei com o arquivo de pensagrafias. O que não achei aqui é que me deixou um pouco angustiado.
Será que todo esse tempo em que passei sem escrever não tive um pensamento digno de ser fotografado? Nada valeu a pena de ser digitalizado, e devidamente preservado nesse álbum?
Faz tempo também que não faço mais o trajeto Praia Vermelha-Fundão-Engenho do Mato, incluídas aí as inúmeras baldeações possíveis. Mudei. Mudaram os meus caminhos, ganhei e perdi coisas. Apareceu um buraco na minha vida com um diâmetro que cruza duas cidades quase ponta a ponta. Cadê o tempo-perdido-nas-viagens-de-ônibus? O frenesi das idéias e a necessidade de preencher a cabeça com fotografias de nadas? Sofri com o êxodo do abstrato. Parece chique, mas não é não. É triste isso.
Agora, tudo o que faço é perto, concreto. Estudo, Trabalho, Estudo. O dia é cheio. E a condução entre uma tarefa e outra não leva mais do que vinte minutos. Viva a eficiência do traçado urbano e da logística de trânsito!
No início eu estranhava tudo. Faltava terra passando `a vista. Ora, em 20 minutos a quantidade de quadros pela janela do ônibus é insuficiente para alimentar um olho acostumado a mais de 2h de imagens em movimento. Tive fome. Senti que fiquei fora do Muuundo, ou que ele não passava mais pela minha janela.
Aos poucos tudo virou correria. Logo após a experiência da falta de mundo, do pouco espaço percorrido durante as viagens, tive a sensação de que era o tempo que me havia escapado. Como eu estava perto de tudo, queria fazer tudo. E pior, cadê o relaxamento de eternidade que se faz em banco de ônibus? Antes, eu pagava, passava a roleta e quando tinha a sorte de viajar sentado esquecia do meu ponto final. Tinha quase uma eternidade até lah. E escrevia reticências de pensagrafias. Hoje, a vida é curta, a espera é ansiosa, o ponto eh logo ali...se relaxar eu danço.
É possível que, no fim, tempo e espaço me sejam indiferentes. Até o momento, a brevidade deles ainda me causa mistura de alegria e tristeza. Não sei nada sobre a dimensão em que estou no limiar de cruzar. Quero descobrir. Talvez por isso venha aqui, levantar a poeira deste álbum. Objetiva em espera por instantes decisivos. Que voltem as pensagrafias!
Será que todo esse tempo em que passei sem escrever não tive um pensamento digno de ser fotografado? Nada valeu a pena de ser digitalizado, e devidamente preservado nesse álbum?
Faz tempo também que não faço mais o trajeto Praia Vermelha-Fundão-Engenho do Mato, incluídas aí as inúmeras baldeações possíveis. Mudei. Mudaram os meus caminhos, ganhei e perdi coisas. Apareceu um buraco na minha vida com um diâmetro que cruza duas cidades quase ponta a ponta. Cadê o tempo-perdido-nas-viagens-de-ônibus? O frenesi das idéias e a necessidade de preencher a cabeça com fotografias de nadas? Sofri com o êxodo do abstrato. Parece chique, mas não é não. É triste isso.
Agora, tudo o que faço é perto, concreto. Estudo, Trabalho, Estudo. O dia é cheio. E a condução entre uma tarefa e outra não leva mais do que vinte minutos. Viva a eficiência do traçado urbano e da logística de trânsito!
No início eu estranhava tudo. Faltava terra passando `a vista. Ora, em 20 minutos a quantidade de quadros pela janela do ônibus é insuficiente para alimentar um olho acostumado a mais de 2h de imagens em movimento. Tive fome. Senti que fiquei fora do Muuundo, ou que ele não passava mais pela minha janela.
Aos poucos tudo virou correria. Logo após a experiência da falta de mundo, do pouco espaço percorrido durante as viagens, tive a sensação de que era o tempo que me havia escapado. Como eu estava perto de tudo, queria fazer tudo. E pior, cadê o relaxamento de eternidade que se faz em banco de ônibus? Antes, eu pagava, passava a roleta e quando tinha a sorte de viajar sentado esquecia do meu ponto final. Tinha quase uma eternidade até lah. E escrevia reticências de pensagrafias. Hoje, a vida é curta, a espera é ansiosa, o ponto eh logo ali...se relaxar eu danço.
É possível que, no fim, tempo e espaço me sejam indiferentes. Até o momento, a brevidade deles ainda me causa mistura de alegria e tristeza. Não sei nada sobre a dimensão em que estou no limiar de cruzar. Quero descobrir. Talvez por isso venha aqui, levantar a poeira deste álbum. Objetiva em espera por instantes decisivos. Que voltem as pensagrafias!

1 Comments:
Com o perdão pelas faltas de acento, confesso que eu era uma das leitoras que passava por aqui e imaginava "será que o Felipe não vê mais nada digno de cair em domínios públicos?!"... Mas de fato achei muito bom sua pensagrafia de retorno.
Me trouxe à mente muitas "fotos" de quando eu mesma morava em Guapimirim e demorava duas horas para chegar até o Rio, vendo muitas vacas no pasto pelo caminho. Dá saudades lembrar do que eu via, e comparar com a pitoresca vista da Avenida Brasil engarrafada de todos os dias...
Mas como você mesmo disse, "com o tempo tudo vira correria". E acho que no fundo, no fundo, isso deve ter alguma coisa a ver com o nosso ciclo natural de vida, que primeiro nos mostra a calma e aos poucos nos introduz no caos!
Até a próxima!
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